Perceber mais fios no banho, na escova ou nas mãos pode assustar bastante durante um processo de emagrecimento. Por isso, uma dúvida tem se tornado cada vez mais frequente: Tirzepatida causa queda de cabelo?

A queda de cabelo com Tirzepatida já apareceu em estudos clínicos e foi reconhecida como um possível evento adverso associado ao tratamento para controle do peso.

Mas existe uma diferença importante entre dizer que pessoas utilizando Tirzepatida apresentam queda de cabelo e afirmar que o medicamento ataca diretamente os folículos capilares.

As evidências atuais sugerem que parte desses casos pode estar relacionada à grande ou rápida perda de peso, à redução da ingestão alimentar e a um fenômeno chamado eflúvio telógeno.

Ou seja: a relação pode ser mais complexa do que simplesmente “a caneta faz o cabelo cair”.

Neste artigo, você vai entender o que já sabemos sobre queda de cabelo com Tirzepatida, por que ela pode acontecer, quais fatores merecem atenção e quando procurar avaliação profissional.

Importante: este artigo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação médica ou dermatológica. Queda de cabelo possui diversas causas e não deve ser diagnosticada apenas pela presença ou ausência de uso de Tirzepatida.

Queda de cabelo com Tirzepatida realmente acontece?

Sim, existem relatos e dados de estudos mostrando queda de cabelo com Tirzepatida.

Quando a Anvisa aprovou a nova indicação do Mounjaro para controle crônico do peso em 2025, a agência informou que alguns novos eventos adversos haviam sido identificados nos estudos dessa indicação.

Entre eles estava a queda de cabelo.

A informação foi acrescentada às informações de segurança do produto.

Nos Estados Unidos, as informações oficiais da tirzepatida utilizada para controle do peso também incluem queda de cabelo entre os eventos observados.

Isso significa que não estamos falando apenas de relatos encontrados nas redes sociais.

Existe um sinal reconhecido nos dados clínicos.

Quantas pessoas tiveram queda de cabelo nos estudos?

Nas informações oficiais americanas da tirzepatida para controle do peso, a queda de cabelo apareceu com maior frequência entre mulheres.

Nos estudos agrupados utilizados para avaliação do medicamento, queda de cabelo foi relatada em aproximadamente:

  • 7,1% das mulheres tratadas com tirzepatida;
  • 1,3% das mulheres recebendo placebo;
  • 0,5% dos homens tratados com tirzepatida;
  • 0% dos homens recebendo placebo.

Esses números não significam que 7 em cada 100 mulheres necessariamente terão uma queda intensa ou visível.

Eles representam os eventos relatados dentro daqueles estudos específicos.

Também não permitem prever individualmente quem apresentará o problema.

Por que acontece queda de cabelo com Tirzepatida?

A causa exata da queda de cabelo com Tirzepatida ainda não está completamente definida.

Pesquisas publicadas em 2026 apontam que existe uma associação entre medicamentos relacionados ao GLP-1 e maior ocorrência de queda de cabelo, especialmente com Tirzepatida e semaglutida.

Porém, ainda não está totalmente claro quanto dessa associação ocorre por um efeito direto do medicamento e quanto pode ser consequência indireta do emagrecimento.

Entre as hipóteses estão:

  • perda rápida ou significativa de peso;
  • redução importante da ingestão calórica;
  • ingestão inadequada de proteínas;
  • deficiência de determinados nutrientes;
  • estresse metabólico provocado por uma grande mudança corporal;
  • predisposição a outros tipos de alopecia.

Uma das explicações mais discutidas é o eflúvio telógeno.

O que é eflúvio telógeno?

Eflúvio telógeno é uma condição caracterizada por uma queda difusa de cabelos.

Em vez de surgir uma única região completamente sem cabelo, a pessoa costuma perceber uma quantidade maior de fios caindo de maneira generalizada.

O ciclo do cabelo possui diferentes fases.

Em determinadas situações de estresse fisiológico ou metabólico, uma quantidade maior de fios pode entrar antecipadamente na fase de repouso.

Depois, esses fios começam a cair.

Entre os gatilhos conhecidos estão:

  • perda importante de peso;
  • dietas extremamente restritivas;
  • doenças;
  • cirurgias;
  • alterações hormonais;
  • deficiência de nutrientes;
  • outros eventos que provoquem grande estresse ao organismo.

Por isso, uma grande perda de peso pode funcionar como um gatilho mesmo em pessoas que nunca utilizaram medicamentos como Tirzepatida.

Emagrecer rápido pode fazer o cabelo cair?

Pode.

A perda rápida de peso já era associada ao eflúvio telógeno muito antes da popularização da Tirzepatida.

Um estudo publicado em 2024 analisou 140 pacientes diagnosticados com eflúvio telógeno relacionado à perda de peso.

A queda apareceu em pessoas que haviam apresentado redução importante do peso corporal, mostrando que o próprio emagrecimento pode funcionar como gatilho.

Isso ajuda a interpretar a queda de cabelo com Tirzepatida.

Como o medicamento pode proporcionar redução significativa do peso, parte da queda observada durante o tratamento pode estar relacionada à magnitude ou velocidade desse emagrecimento.

Então é a Tirzepatida ou é o emagrecimento?

A resposta mais correta atualmente é:

podem existir diferentes fatores envolvidos.

Uma revisão publicada em 2026 concluiu que as evidências de associação entre medicamentos relacionados ao GLP-1 e queda de cabelo são mais fortes para Tirzepatida e semaglutida.

Porém, os próprios pesquisadores destacam que ainda não foi estabelecida de forma definitiva uma relação causal direta.

A perda rápida de peso aparece como um possível mecanismo importante.

Isso significa que ainda não podemos afirmar:

“A Tirzepatida ataca diretamente o cabelo.”

Mas também não podemos simplesmente ignorar a queda de cabelo com Tirzepatida, porque ela foi observada nos estudos e reconhecida nas informações do medicamento.

Queda de cabelo significa falta de proteína?

Não necessariamente.

Baixa ingestão proteica pode contribuir para problemas relacionados aos cabelos, mas não é a única possível causa.

Durante o tratamento com Tirzepatida, algumas pessoas experimentam uma redução muito grande no apetite.

Com isso, podem diminuir não apenas as calorias, mas também a quantidade de:

  • proteínas;
  • ferro;
  • zinco;
  • vitaminas;
  • minerais;
  • gorduras essenciais;
  • outros nutrientes.

Por isso, uma pessoa que está comendo muito pouco merece uma avaliação da qualidade da alimentação.

Mas simplesmente aumentar proteína por conta própria não permite afirmar que a queda será resolvida.

Prato com frango grelhado como fonte de proteína para ajudar a não perder músculo

Comer proteína ajuda a evitar queda de cabelo?

Uma alimentação nutricionalmente adequada é importante para a saúde do cabelo e do organismo como um todo.

Proteína também é essencial porque o cabelo é formado principalmente por uma proteína chamada queratina.

Fontes proteicas podem incluir:

  • carnes;
  • frango;
  • ovos;
  • leite e derivados;
  • leguminosas;
  • soja;
  • outras fontes vegetais ou animais.

Entretanto, não existe uma quantidade específica de proteína comprovada como capaz de impedir completamente a queda de cabelo com Tirzepatida.

As necessidades individuais dependem de fatores como peso, idade, atividade física, condições de saúde e composição da alimentação.

Devo tomar biotina para queda de cabelo?

Não automaticamente.

A biotina ganhou fama como suplemento para cabelo, pele e unhas, mas suplementar sem saber se existe deficiência não significa necessariamente melhorar a queda.

Além disso, suplementos de biotina em doses elevadas podem interferir em alguns exames laboratoriais.

O mesmo princípio vale para:

  • ferro;
  • zinco;
  • vitamina D;
  • vitamina B12;
  • outros suplementos.

Se houver suspeita de deficiência, é melhor investigar do que simplesmente começar a consumir vários suplementos.

Ferro baixo pode causar queda de cabelo?

Deficiência de ferro é uma das condições que pode estar associada à queda capilar.

Isso não significa que toda pessoa com queda de cabelo com Tirzepatida tenha deficiência de ferro.

Por isso, tomar ferro sem necessidade também não é uma boa estratégia.

Quando a queda é importante ou persistente, um profissional pode avaliar se existe necessidade de investigar causas nutricionais, hormonais ou dermatológicas.

A queda de cabelo com Tirzepatida é permanente?

Não é possível responder de maneira igual para todas as pessoas.

Quando a queda está relacionada a eflúvio telógeno provocado por um evento temporário, como uma grande perda de peso, pode ocorrer recuperação conforme o ciclo capilar se normaliza.

Porém, nem toda queda durante o tratamento é necessariamente eflúvio telógeno.

Uma pessoa também pode apresentar:

  • alopecia androgenética;
  • alterações da tireoide;
  • deficiência nutricional;
  • doenças do couro cabeludo;
  • doenças autoimunes;
  • outros tipos de queda.

Por isso, não é adequado assumir que “vai passar sozinho” sem avaliar o contexto.

A queda pode aparecer meses depois do emagrecimento?

Sim.

Um detalhe que costuma confundir bastante é que o cabelo nem sempre começa a cair exatamente no momento em que ocorre o gatilho.

No eflúvio telógeno, existe uma alteração no ciclo capilar antes que o fio seja eliminado.

Isso significa que a pessoa pode perceber o aumento da queda algum tempo depois da fase de grande emagrecimento ou restrição alimentar.

Por isso, nem sempre existe uma relação temporal óbvia.

Mulheres têm mais queda de cabelo com Tirzepatida?

Nos dados das informações oficiais americanas para controle do peso, a queda foi relatada com frequência consideravelmente maior entre mulheres do que entre homens.

Isso também apareceu em revisões científicas recentes, nas quais mulheres pareceram ser afetadas de forma desproporcional.

Ainda não significa, porém, que homens estejam livres do risco.

Além disso, mulheres apresentam outras condições que também podem influenciar queda capilar, o que reforça a importância de avaliar cada caso individualmente.

Preciso parar Tirzepatida se meu cabelo estiver caindo?

Não interrompa o medicamento por conta própria.

A decisão depende de:

  • intensidade da queda;
  • benefício obtido com o tratamento;
  • existência de outras causas;
  • condição nutricional;
  • outros efeitos adversos;
  • situação clínica individual.

A queda de cabelo com Tirzepatida deve ser comunicada ao profissional responsável, especialmente quando é intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas.

O profissional poderá avaliar a necessidade de investigação dermatológica ou nutricional.

O que fazer se o cabelo começou a cair?

O primeiro passo é evitar entrar em pânico e comprar vários suplementos ao mesmo tempo.

Pode ser útil observar:

  • quando a queda começou;
  • quanto peso foi perdido;
  • em quanto tempo ocorreu essa perda;
  • como está a alimentação;
  • quanto de proteína está sendo consumido;
  • se existem outros sintomas;
  • medicamentos utilizados;
  • histórico de queda de cabelo;
  • alterações recentes de saúde.

Essas informações ajudam bastante durante uma consulta.

Evite dietas extremamente restritivas

Se você está utilizando Tirzepatida e praticamente não consegue comer, vale conversar com os profissionais responsáveis.

Emagrecer não significa precisar sobreviver com quantidades mínimas de comida.

Uma dieta muito restritiva pode dificultar o consumo adequado de nutrientes importantes.

Além da saúde do cabelo, uma alimentação insuficiente pode afetar:

  • massa muscular;
  • energia;
  • força;
  • imunidade;
  • saúde óssea;
  • disposição.

Portanto, aproveitar a redução do apetite para comer “o mínimo possível” não é necessariamente uma estratégia saudável.

Preserve também sua massa muscular

Grande perda de peso também pode envolver perda de massa magra.

Por isso, alimentação adequada e treinamento de força merecem atenção durante o tratamento.

Preservar musculatura e manter uma boa ingestão nutricional fazem parte de uma abordagem de emagrecimento que olha além do número da balança.

Leia também: Como não perder músculo usando Tirzepatida.

Quando procurar um dermatologista?

Vale procurar avaliação principalmente quando:

  • a queda é muito intensa;
  • aparecem falhas ou áreas localizadas sem cabelo;
  • existe coceira ou inflamação importante no couro cabeludo;
  • a queda persiste por vários meses;
  • há dor no couro cabeludo;
  • existem alterações em sobrancelhas ou outros pelos;
  • a pessoa apresenta outros sintomas;
  • há histórico familiar importante de alopecia.

O dermatologista pode ajudar a diferenciar eflúvio telógeno de outras formas de queda.

Tirzepatida precisa ser suspensa para o cabelo voltar?

Não existe uma regra universal.

A recuperação da queda depende da causa.

Se o problema estiver relacionado ao emagrecimento rápido ou a fatores nutricionais, a estratégia pode ser diferente daquela utilizada para uma alopecia causada por outro motivo.

Por isso, simplesmente suspender Tirzepatida não garante que a queda desaparecerá — e também pode trazer consequências para o tratamento da condição para a qual o medicamento foi prescrito.

Qualquer decisão deve ser tomada junto ao profissional responsável.

Perguntas frequentes sobre queda de cabelo com Tirzepatida

Tirzepatida causa queda de cabelo?

A queda de cabelo foi observada nos estudos e incluída nas informações de segurança relacionadas à Tirzepatida para controle do peso. Entretanto, ainda existe discussão sobre quanto ocorre por efeito direto do medicamento e quanto está associado à perda de peso.

Queda de cabelo com Tirzepatida é comum?

Ela ocorre em uma minoria dos pacientes, mas foi suficientemente observada para ser reconhecida como evento adverso. Nos estudos americanos para controle do peso, foi relatada com maior frequência em mulheres.

A queda pode ser causada pelo emagrecimento?

Sim. Grande ou rápida perda de peso é um gatilho conhecido de eflúvio telógeno.

O cabelo volta a crescer?

Quando o problema é um eflúvio telógeno provocado por um gatilho temporário, pode ocorrer recuperação. Porém, existem várias outras causas de queda, por isso o diagnóstico é importante.

Tomar biotina resolve?

Não existe evidência de que toda pessoa com queda de cabelo precise de biotina. Suplementação deve considerar necessidade individual.

Comer mais proteína resolve?

Proteína adequada é importante para saúde e preservação dos tecidos, mas não existe garantia de que aumentar proteína sozinho resolverá a queda.

Preciso parar Tirzepatida?

Não interrompa o medicamento por conta própria. A decisão deve considerar os benefícios e riscos individuais e ser discutida com o profissional responsável.

Quando devo procurar um dermatologista?

Queda intensa, persistente, localizada ou acompanhada de alterações no couro cabeludo merece avaliação especializada.

Conclusão

A queda de cabelo com Tirzepatida é uma preocupação real e já foi observada em estudos utilizados para avaliar o medicamento.

A Anvisa adicionou queda de cabelo às informações de segurança relacionadas ao uso para controle do peso, e pesquisas recentes também identificaram uma associação entre Tirzepatida e maior ocorrência de queda capilar.

Mas isso não significa que o medicamento necessariamente provoque um dano direto aos folículos.

Uma das principais hipóteses é que a grande ou rápida perda de peso possa desencadear eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa que também ocorre depois de outros eventos de estresse metabólico.

Restrição alimentar, baixa ingestão de nutrientes e condições individuais também podem contribuir.

Por isso, diante de queda de cabelo com Tirzepatida, a melhor estratégia não é simplesmente interromper o medicamento ou comprar suplementos aleatoriamente.

O mais importante é entender a causa.

Uma alimentação adequada, acompanhamento do ritmo de emagrecimento e avaliação médica ou dermatológica quando necessária ajudam a conduzir o problema de maneira mais segura.


Fontes e referências

Conteúdo atualizado em agosto de 2026.

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May Stolber

Criadora de conteúdo e autora no TirzeClub, onde escreve sobre tirzepatida, emagrecimento, alimentação, atividade física e bem-estar. Seu objetivo é transformar temas complexos em conteúdos claros e acessíveis, utilizando fontes confiáveis e atualizadas. May não atua como profissional de saúde, e seus conteúdos têm caráter informativo e educacional.

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