A relação entre Tirzepatida e apneia do sono ganhou bastante atenção depois que estudos clínicos mostraram uma redução importante das interrupções respiratórias durante a noite em pessoas com obesidade.

A apneia obstrutiva é uma condição em que as vias aéreas superiores ficam parcial ou completamente bloqueadas repetidamente enquanto a pessoa dorme. Como consequência, a respiração pode parar durante alguns segundos várias vezes por hora.

Além de prejudicar a qualidade do sono, essa condição está associada a sonolência durante o dia, alterações cardiovasculares e outros problemas de saúde.

A obesidade é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento e à piora da doença.

Foi justamente essa relação que levou pesquisadores a avaliar se a grande perda de peso provocada pela Tirzepatida poderia também melhorar a respiração durante o sono.

Os estudos SURMOUNT-OSA trouxeram resultados importantes.

Depois de 52 semanas, pessoas tratadas com Tirzepatida apresentaram redução significativa do número de eventos de apneia e hipopneia por hora, além de perda de peso, menor carga de falta de oxigênio durante o sono e melhora de diferentes medidas relacionadas à saúde.

Esses dados são promissores, mas não significam que qualquer pessoa que ronca precise usar Tirzepatida nem que alguém que utiliza CPAP possa abandonar o aparelho por conta própria.

Neste artigo, você vai entender o que os estudos realmente mostraram e como interpretar essas informações.

Importante: este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui avaliação médica. Diagnóstico e tratamento de distúrbios respiratórios do sono devem ser realizados por profissionais de saúde.

O que é apneia obstrutiva do sono?

A apneia obstrutiva acontece quando os músculos e estruturas da garganta relaxam durante o sono e reduzem ou bloqueiam temporariamente a passagem do ar.

Quando existe bloqueio completo, ocorre uma apneia.

Quando a passagem de ar apenas diminui significativamente, ocorre uma hipopneia.

O organismo percebe a redução de oxigênio e provoca pequenos despertares para que a respiração seja restabelecida.

Esses despertares podem acontecer dezenas ou até centenas de vezes durante uma noite.

A pessoa muitas vezes nem percebe que acordou.

Mesmo assim, o sono fica fragmentado.

Quais são os sintomas mais comuns?

Um dos sintomas mais conhecidos é o ronco alto e frequente.

Porém, roncar não significa automaticamente ter a doença.

Outros sinais possíveis incluem:

  • pausas respiratórias percebidas pelo parceiro;
  • sensação de sufocamento durante o sono;
  • boca seca ao acordar;
  • dor de cabeça pela manhã;
  • sono pouco reparador;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • sonolência durante o dia.

Algumas pessoas passam anos acreditando que estão apenas cansadas quando, na realidade, apresentam um distúrbio respiratório do sono.

Por que a obesidade aumenta o risco?

O excesso de tecido adiposo pode se acumular também ao redor das estruturas das vias respiratórias superiores.

Isso pode reduzir o espaço disponível para passagem do ar.

A obesidade também pode alterar o funcionamento mecânico da caixa torácica e da respiração.

Por isso, existe uma relação importante entre excesso de peso e apneia do sono.

Isso não significa que apenas pessoas com obesidade desenvolvam a condição.

Características anatômicas da mandíbula, tamanho da língua, amígdalas, idade, sexo e fatores genéticos também podem influenciar.

Mas entre pessoas com obesidade, perder peso pode produzir uma melhora importante.

Como a Tirzepatida poderia ajudar?

A Tirzepatida não funciona abrindo diretamente a garganta durante a noite.

Seu principal papel nesse contexto está relacionado ao tratamento da obesidade.

O medicamento atua nos receptores GIP e GLP-1, ajudando a reduzir o apetite, aumentar a saciedade e diminuir a ingestão alimentar.

Com o tempo, isso pode produzir uma redução importante do peso.

Quando a quantidade de tecido adiposo diminui, pode ocorrer menor pressão e menor acúmulo de gordura ao redor das vias respiratórias.

É justamente esse mecanismo que ajuda a explicar a relação entre Tirzepatida e apneia do sono.

O que foi o SURMOUNT-OSA?

O SURMOUNT-OSA foi um programa de fase 3 criado especificamente para estudar Tirzepatida em adultos com obesidade e apneia obstrutiva moderada a grave.

Foram realizados dois estudos paralelos durante 52 semanas.

O estudo 1 incluiu participantes que não utilizavam terapia com pressão positiva das vias aéreas, conhecida como PAP.

O estudo 2 incluiu pessoas que já utilizavam PAP.

No total, aproximadamente 469 participantes foram randomizados.

Eles receberam Tirzepatida na dose máxima tolerada de 10 mg ou 15 mg ou placebo.

Todos também receberam intervenção relacionada ao estilo de vida.

Como os pesquisadores mediram a melhora?

O principal indicador utilizado foi o índice de apneia-hipopneia, chamado de AHI ou IAH.

Esse índice mostra quantas vezes, em média, a respiração para ou diminui significativamente durante uma hora de sono.

De maneira simplificada:

quanto maior o número, maior costuma ser a gravidade do distúrbio.

O diagnóstico e a classificação, entretanto, dependem da interpretação completa do exame do sono.

Por isso, um único número não deve ser analisado isoladamente.

Quanto o índice diminuiu?

Os participantes começaram os estudos com quadros importantes.

No estudo 1, o índice médio inicial era aproximadamente 51,5 eventos por hora.

Depois de 52 semanas, o grupo tratado com Tirzepatida apresentou redução média de aproximadamente 25,3 eventos por hora.

No placebo, a redução foi de aproximadamente 5,3 eventos por hora.

No estudo 2, o índice inicial médio era aproximadamente 49,5 eventos por hora.

A redução com Tirzepatida foi de aproximadamente 29,3 eventos por hora, enquanto o placebo apresentou redução de cerca de 5,5 eventos por hora.

Esses resultados representam uma diferença importante entre os grupos.

Eles também mostram que o tratamento não atuou apenas sobre o peso: houve uma mudança objetiva na respiração registrada durante o sono.

Isso significa que a doença desapareceu?

Não para todas as pessoas.

A resposta variou entre os participantes.

Alguns apresentaram melhora suficiente para atingir níveis muito mais baixos de eventos respiratórios.

Outros continuaram apresentando alterações, embora menos intensas.

Por isso, não é adequado transformar a média dos estudos em uma promessa individual.

Mesmo depois de grande perda de peso, algumas pessoas podem continuar precisando de tratamento específico.

O emagrecimento explica a melhora?

Uma grande parte provavelmente está relacionada à redução de peso.

Uma análise posterior dos estudos SURMOUNT-OSA encontrou relação entre a quantidade de peso perdida e a melhora do índice de eventos respiratórios.

Participantes que perderam mais peso geralmente apresentaram maiores reduções na gravidade do distúrbio.

Os pesquisadores continuam investigando se existem também efeitos adicionais que não dependam exclusivamente do emagrecimento.

Até o momento, entretanto, a perda de peso parece ser um componente central da melhora observada.

O que é carga hipóxica?

Nem todas as interrupções respiratórias possuem exatamente o mesmo impacto.

Durante uma apneia ou hipopneia, a quantidade de oxigênio no sangue pode cair.

A carga hipóxica procura avaliar quanto tempo e com que intensidade esses episódios de redução de oxigênio acontecem durante o sono.

Nos estudos SURMOUNT-OSA, a Tirzepatida também reduziu significativamente a carga hipóxica relacionada aos episódios respiratórios.

Esse resultado é importante porque o impacto da doença não depende apenas do número de interrupções.

A quantidade de falta de oxigênio também pode ter relevância cardiovascular.

O sono melhorou?

Sim.

Além dos exames objetivos, os pesquisadores avaliaram como os próprios participantes percebiam seu sono e funcionamento diário.

Foram observadas melhorias em medidas relacionadas a:

  • comprometimento causado pelo sono;
  • distúrbios do sono;
  • funcionamento durante o dia;
  • qualidade de vida.

Análises publicadas posteriormente também encontraram melhora de diferentes indicadores relatados pelos participantes.

Isso mostra que a mudança não aconteceu apenas nos resultados do exame.

Parte dos pacientes também percebeu melhora funcional.

Mulher com sonolência e cansaço durante o dia

A sonolência durante o dia pode melhorar?

Pode.

Quando alguém passa a noite inteira apresentando pequenos despertares para voltar a respirar, o sono pode deixar de cumprir adequadamente sua função restauradora.

Com tratamento adequado, algumas pessoas relatam:

  • menos sonolência;
  • maior disposição;
  • melhor concentração;
  • menor sensação de cansaço ao acordar.

Mas sonolência excessiva possui várias causas.

Uma pessoa pode continuar cansada mesmo com melhora dos eventos respiratórios se existir privação de sono, anemia, depressão, hipotireoidismo, determinados medicamentos ou outras condições.

Tirzepatida reduz o ronco?

O ronco pode diminuir à medida que ocorre melhora da obstrução das vias aéreas e redução do peso.

Análises recentes do SURMOUNT-OSA também avaliaram sintomas como ronco, fadiga e qualidade do sono.

Porém, ronco e apneia do sono não são exatamente a mesma coisa.

Uma pessoa pode roncar sem apresentar eventos respiratórios suficientes para preencher critérios diagnósticos.

Também é possível apresentar a doença sem um ronco extremamente alto.

Posso saber se tenho apneia apenas pelo ronco?

Não.

O diagnóstico geralmente envolve uma avaliação clínica e um exame do sono.

A polissonografia é considerada uma das principais formas de avaliação.

Em determinadas situações, testes domiciliares de sono também podem ser utilizados.

Eles registram parâmetros como respiração, fluxo de ar, oxigenação e frequência dos eventos.

O resultado permite estimar a gravidade do problema.

O que é CPAP?

CPAP significa pressão positiva contínua nas vias aéreas.

O aparelho envia ar através de uma máscara durante o sono.

Essa pressão ajuda a manter as vias respiratórias abertas e evita que elas colapsem repetidamente.

É um dos tratamentos mais eficazes para quadros moderados e graves.

A eficácia, entretanto, depende do uso adequado.

Algumas pessoas apresentam dificuldade inicial para se adaptar à máscara ou à pressão.

Posso parar o CPAP depois de emagrecer?

Não por conta própria.

Esse é um dos pontos mais importantes deste artigo.

A perda de peso pode reduzir significativamente a gravidade do problema, mas isso não significa que o distúrbio desapareceu completamente.

Uma pessoa pode se sentir muito melhor e ainda apresentar eventos respiratórios durante a noite.

Se houve grande redução de peso, o médico pode recomendar uma nova avaliação ou novo exame do sono.

Somente depois dessa reavaliação é possível saber se o CPAP pode ser ajustado ou eventualmente suspenso.

E se eu não consigo usar CPAP?

Existem outras estratégias utilizadas dependendo da causa e da gravidade.

Podem ser consideradas opções como:

  • dispositivos intraorais;
  • mudanças de posição para dormir;
  • tratamento da obesidade;
  • avaliação das vias aéreas;
  • determinados procedimentos cirúrgicos.

A escolha depende da anatomia e do quadro clínico.

A Tirzepatida não deve ser encarada simplesmente como uma alternativa para quem “não gosta do CPAP”.

Ela trata um fator importante em pessoas com obesidade, mas não substitui automaticamente outras terapias.

Tirzepatida é aprovada especificamente para apneia?

A situação depende do país.

Nos Estados Unidos, a FDA aprovou em dezembro de 2024 o Zepbound, que contém Tirzepatida, para tratamento de apneia obstrutiva moderada a grave em adultos com obesidade, em conjunto com alimentação com redução calórica e aumento da atividade física.

Foi a primeira aprovação medicamentosa específica da FDA para esse contexto.

No Brasil, a página de indicação da Anvisa para Mounjaro consultada atualmente apresenta apneia obstrutiva como uma das comorbidades relacionadas ao peso que podem fazer parte dos critérios de indicação para controle crônico do peso.

Isso é diferente de assumir automaticamente que a indicação regulatória brasileira é idêntica à indicação específica aprovada nos Estados Unidos.

Por que essa diferença regulatória importa?

Medicamentos podem receber indicações diferentes em países diferentes.

A existência de um estudo científico positivo não significa que todas as agências reguladoras tenham aprovado exatamente a mesma indicação.

Por isso, artigos sobre saúde precisam distinguir:

o que o estudo mostrou

de

para que o medicamento está oficialmente aprovado naquele país.

Essa diferença é especialmente importante em conteúdos YMYL.

Qual foi a decisão da FDA?

Em dezembro de 2024, a FDA aprovou Tirzepatida para adultos com obesidade e apneia obstrutiva moderada a grave.

A decisão foi baseada principalmente nos dois estudos SURMOUNT-OSA.

A agência destacou que o tratamento reduziu significativamente o índice de eventos respiratórios em comparação com placebo.

A FDA também explicou que a melhora provavelmente está relacionada à redução do peso corporal.

Quem participou dos estudos?

Esse ponto é muito importante.

Os resultados não vieram de pessoas que apenas roncavam.

Os participantes apresentavam:

  • obesidade;
  • diagnóstico estabelecido;
  • quadro moderado ou grave;
  • acompanhamento dentro de um ensaio clínico.

Por isso, não podemos extrapolar os mesmos resultados para qualquer pessoa.

Os estudos também utilizaram doses máximas toleradas de 10 ou 15 mg.

Isso não significa que uma pessoa deva aumentar sua dose buscando melhorar mais rapidamente a respiração.

Perder peso sem Tirzepatida também pode ajudar?

Sim.

A redução de peso já era recomendada para pessoas com obesidade e distúrbios respiratórios do sono antes da existência da Tirzepatida.

Dieta, atividade física, cirurgia bariátrica e outras estratégias podem melhorar o quadro quando produzem redução significativa do excesso de peso.

A Tirzepatida oferece uma nova ferramenta dentro do tratamento da obesidade.

Ela não muda o fato de que hábitos, sono adequado e acompanhamento continuam importantes.

Dormir de lado pode ajudar?

Em algumas pessoas, os eventos respiratórios são mais frequentes quando dormem de barriga para cima.

Isso é chamado de apneia posicional.

Nesses casos, dormir de lado pode reduzir parte dos episódios.

Mas essa estratégia não funciona da mesma maneira para todas as pessoas e não deve substituir um tratamento indicado para doença moderada ou grave sem avaliação.

Álcool pode piorar o problema?

Pode.

O álcool pode relaxar ainda mais os músculos das vias respiratórias e piorar episódios de obstrução em algumas pessoas.

Também pode alterar a arquitetura normal do sono.

Por isso, pessoas com distúrbios respiratórios noturnos podem receber orientação para reduzir ou evitar consumo próximo ao horário de dormir.

Pressão arterial também melhorou?

Sim.

Os estudos SURMOUNT-OSA encontraram melhora da pressão arterial sistólica entre os participantes tratados.

Isso é relevante porque obesidade, hipertensão e distúrbios respiratórios noturnos frequentemente aparecem juntos.

A redução do peso e a melhora do sono podem contribuir para um perfil cardiometabólico mais favorável.

Entretanto, isso não significa que medicamentos para hipertensão devam ser interrompidos.

E inflamação?

Os estudos também avaliaram a proteína C-reativa de alta sensibilidade, conhecida como hsCRP.

Esse é um marcador relacionado à inflamação sistêmica e risco cardiometabólico.

O tratamento produziu melhora desse marcador em comparação com placebo.

Novamente, isso faz parte de um conjunto de alterações observado durante a perda de peso e melhora respiratória.

Não significa que Tirzepatida seja um medicamento especificamente destinado a “tratar inflamação”.

Melhorar a apneia reduz risco cardiovascular?

Sabemos que a doença está associada a maior risco cardiovascular.

Também sabemos que o SURMOUNT-OSA encontrou melhora de diferentes marcadores considerados favoráveis.

Mas é importante não ultrapassar aquilo que o estudo demonstrou.

O ensaio foi desenhado principalmente para avaliar eventos respiratórios durante o sono, e não para provar redução de infartos, AVC ou mortes cardiovasculares.

Portanto, os resultados são cardiometabolicamente favoráveis, mas não devem ser transformados em uma promessa de prevenção cardiovascular.

Os efeitos colaterais foram diferentes?

Os eventos adversos mais frequentes continuaram sendo principalmente gastrointestinais.

Entre eles estão náusea, diarreia, vômito e constipação.

A maioria foi considerada leve ou moderada nos ensaios.

Esse perfil é semelhante ao observado em outros estudos de Tirzepatida.

A presença da condição respiratória não elimina as mesmas precauções e contraindicações utilizadas para o tratamento.

Quanto tempo levou para melhorar?

Os estudos acompanharam os participantes durante 52 semanas.

A melhora ocorreu progressivamente.

Isso faz sentido porque a perda de peso também acontece ao longo de meses.

Não devemos esperar que uma aplicação faça desaparecer os episódios respiratórios da noite para o dia.

O tratamento precisa ser avaliado dentro de uma estratégia de longo prazo.

Preciso repetir a polissonografia depois de emagrecer?

Pode ser indicado.

Especialmente se houve uma redução importante do peso ou grande mudança nos sintomas.

Um novo exame pode mostrar:

  • se o índice caiu;
  • se a gravidade mudou;
  • se a pressão do CPAP precisa ser ajustada;
  • se ainda existe necessidade de determinadas terapias.

O momento adequado deve ser decidido pelo profissional responsável.

Quando procurar avaliação?

Alguns sinais justificam investigação, especialmente quando aparecem juntos:

  • ronco intenso;
  • pausas respiratórias percebidas durante o sono;
  • acordar sufocando;
  • sono não reparador;
  • sonolência excessiva durante o dia;
  • dificuldade de concentração;
  • pressão arterial difícil de controlar.

Uma pessoa não precisa esperar desenvolver sintomas graves para procurar avaliação.

Diagnóstico e tratamento adequados podem melhorar bastante a qualidade do sono e a saúde geral.

Perguntas frequentes

Tirzepatida melhora a apneia do sono?

Em pessoas com obesidade e doença moderada a grave estudadas no SURMOUNT-OSA, houve redução significativa dos eventos respiratórios depois de 52 semanas.

Quanto o índice caiu?

No estudo sem PAP, a redução média foi de aproximadamente 25,3 eventos por hora com Tirzepatida versus 5,3 com placebo.

No estudo envolvendo usuários de PAP, as reduções foram aproximadamente 29,3 e 5,5 eventos por hora, respectivamente.

Posso parar de usar CPAP depois de emagrecer?

Não sem reavaliação. Pode ser necessário realizar novo exame do sono antes de alterar ou interromper o tratamento.

Tirzepatida cura a doença?

Não é adequado utilizar a palavra cura. Algumas pessoas podem apresentar grande melhora ou até atingir critérios de resolução, enquanto outras continuam apresentando eventos.

Quem ronca pode usar Tirzepatida?

Ronco sozinho não é indicação. É necessário investigar se existe doença respiratória e avaliar separadamente se a pessoa atende aos critérios para tratamento com Tirzepatida.

A FDA aprovou Tirzepatida para apneia?

Sim. Nos Estados Unidos, Zepbound foi aprovado em dezembro de 2024 para apneia obstrutiva moderada a grave em adultos com obesidade.

E no Brasil?

Na indicação brasileira de Mounjaro para controle crônico do peso, a Anvisa cita apneia obstrutiva do sono como uma das possíveis comorbidades relacionadas ao excesso de peso. A indicação regulatória precisa ser seguida conforme a bula brasileira vigente.

Conclusão

Os estudos SURMOUNT-OSA trouxeram uma nova perspectiva para a relação entre obesidade e apneia do sono.

Em adultos com obesidade e doença moderada a grave, a Tirzepatida reduziu significativamente o número de eventos respiratórios durante uma hora de sono.

No primeiro estudo, o índice caiu em média 25,3 eventos por hora com Tirzepatida, contra 5,3 com placebo.

No segundo, as reduções médias foram de 29,3 e 5,5 eventos por hora, respectivamente.

Também foram observadas melhorias de peso, carga hipóxica, pressão arterial, marcadores inflamatórios e medidas relacionadas à qualidade do sono.

Esses resultados levaram a FDA a aprovar Tirzepatida nos Estados Unidos para determinadas pessoas com obesidade e doença moderada a grave.

No Brasil, a apneia obstrutiva aparece entre as comorbidades relacionadas ao peso na indicação de Mounjaro para controle crônico do peso.

Apesar dos resultados expressivos, CPAP e outros tratamentos não devem ser interrompidos apenas porque houve emagrecimento ou melhora dos sintomas.

A maneira correta de descobrir se a condição realmente melhorou é realizar uma nova avaliação quando indicada.

A principal mensagem é que tratar a obesidade pode trazer benefícios que vão muito além da balança — e, em determinadas pessoas, melhorar significativamente a qualidade da respiração durante o sono.


Fontes e referências

Malhotra A et al. Tirzepatide for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Obesity. New England Journal of Medicine. SURMOUNT-OSA.

U.S. Food and Drug Administration (FDA). FDA Approves First Medication for Obstructive Sleep Apnea. Zepbound (tirzepatide).

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação para controle crônico do peso.

Tirzepatide for sleep-disordered breathing in SURMOUNT-OSA: Time course and association with body weight. 2025.

Effect of tirzepatide treatment on patient-reported outcomes among SURMOUNT-OSA participants with obstructive sleep apnea and obesity. 2025.

Changes in patient-reported outcomes and objective assessments based on baseline symptom severity in SURMOUNT-OSA. 2026.

Conteúdo atualizado em setembro de 2026.

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May Stolber

Criadora de conteúdo e autora no TirzeClub, onde escreve sobre tirzepatida, emagrecimento, alimentação, atividade física e bem-estar. Seu objetivo é transformar temas complexos em conteúdos claros e acessíveis, utilizando fontes confiáveis e atualizadas. May não atua como profissional de saúde, e seus conteúdos têm caráter informativo e educacional.

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