A relação entre Tirzepatida e tireoide gera preocupação principalmente por causa de uma advertência presente nas informações oficiais do Mounjaro: estudos realizados em ratos encontraram aumento de tumores das células C da tireoide durante a exposição à Tirzepatida.
Isso pode parecer assustador à primeira vista, mas existe uma diferença fundamental entre o que aconteceu nos animais e aquilo que já foi demonstrado em seres humanos.
Até o momento, não está estabelecido que a Tirzepatida cause carcinoma medular de tireoide em humanos. Estudos clínicos e meta-análises disponíveis também não demonstraram aumento estatisticamente significativo de câncer de tireoide, embora o acompanhamento ainda seja relativamente curto para excluir completamente um risco raro de longo prazo.
Por precaução, o medicamento é contraindicado para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide e para aquelas com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, conhecida como NEM 2.
Isso não significa que qualquer doença da tireoide impeça o tratamento.
Hipotireoidismo, tireoidite de Hashimoto e nódulos tireoidianos são situações diferentes e precisam ser avaliadas individualmente.
Neste artigo, você vai entender o que realmente significa o alerta envolvendo Tirzepatida e tireoide, quais pessoas não devem utilizar o medicamento e quais sinais merecem investigação.
Importante: este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com histórico de câncer de tireoide, nódulos ou doenças endócrinas devem informar essas condições ao profissional antes de iniciar o tratamento.
Por que existe um alerta sobre a tireoide?
Antes que um medicamento seja aprovado para utilização em humanos, diferentes estudos são realizados em animais para investigar possíveis efeitos tóxicos.
Nos estudos de carcinogenicidade da Tirzepatida, ratos machos e fêmeas apresentaram aumento dependente da dose e da duração do tratamento na incidência de tumores das células C da tireoide.
Foram observados adenomas e carcinomas.
As células C são células especializadas que produzem calcitonina e estão relacionadas ao desenvolvimento do carcinoma medular de tireoide.
Foi justamente esse resultado que levou à criação de uma advertência específica nas informações do medicamento.
O ponto fundamental é que a própria bula afirma que não se sabe se esse efeito observado em ratos é relevante para seres humanos.
Isso significa que Tirzepatida causa câncer de tireoide?
Não é correto afirmar isso.
Os estudos em animais levantaram um possível risco, mas até hoje não foi estabelecida uma relação causal entre Tirzepatida e carcinoma medular de tireoide em humanos.
A bula brasileira afirma explicitamente que não se sabe se o medicamento causa tumores das células C, incluindo carcinoma medular, em seres humanos.
A informação de prescrição norte-americana traz a mesma conclusão.
Portanto, dizer simplesmente que “Mounjaro causa câncer de tireoide” transforma uma advertência de precaução em uma afirmação que as evidências atuais não permitem fazer.
Ao mesmo tempo, também seria incorreto afirmar que o risco é definitivamente zero.
Tumores de tireoide são relativamente raros, e câncer pode levar muitos anos para se desenvolver. Isso torna necessário continuar acompanhando dados de segurança de longo prazo.
O que os estudos em humanos mostram?
Uma meta-análise publicada em 2025 avaliou ensaios clínicos de Tirzepatida realizados durante períodos entre 26 e 72 semanas.
Os pesquisadores não encontraram aumento do risco geral de câncer nem de tipos específicos de câncer nos participantes tratados com Tirzepatida.
Apesar de terem ocorrido aumentos de calcitonina em algumas doses, os ensaios incluídos não mostraram um sinal claro de câncer tireoidiano associado ao tratamento.
Outra meta-análise publicada em 2026 avaliou terapias baseadas em incretinas, incluindo medicamentos que atuam sobre GLP-1 e Tirzepatida.
Foram analisados 15 estudos randomizados envolvendo mais de 84 mil participantes.
Ocorreram 28 casos de câncer de tireoide nos grupos de tratamento e 15 entre os controles.
A análise estatística não encontrou associação significativa entre essas terapias e câncer tireoidiano.
Entretanto, os próprios autores classificaram a certeza da evidência como muito baixa devido ao pequeno número de eventos e ao tempo limitado de acompanhamento.
Esse é o cenário científico atual: não existe aumento claramente demonstrado, mas ainda não temos décadas de acompanhamento.
O que é carcinoma medular de tireoide?
O carcinoma medular de tireoide, ou CMT, é um tipo relativamente raro de câncer que surge das células C.
Ele é diferente do câncer papilífero, que é o tipo mais frequente de câncer da tireoide.
Essa distinção é muito importante quando discutimos Tirzepatida e tireoide.
O alerta das bulas está especificamente ligado às células C e ao carcinoma medular.
Não significa que todos os diferentes tipos de câncer tireoidiano apresentem o mesmo risco ou tenham a mesma origem.
Parte dos casos de carcinoma medular acontece de maneira esporádica.
Outra parte está relacionada a alterações genéticas hereditárias, especialmente mutações no gene RET.
Quem não deve utilizar Tirzepatida por causa desse risco?
A bula brasileira contraindica Mounjaro para pessoas com:
- histórico pessoal de carcinoma medular de tireoide;
- histórico familiar de carcinoma medular de tireoide;
- neoplasia endócrina múltipla tipo 2, ou NEM 2.
Essas condições são diferentes de simplesmente ter um familiar com qualquer problema da tireoide.
Por exemplo, uma mãe com hipotireoidismo não significa automaticamente histórico familiar de carcinoma medular.
Da mesma forma, um familiar que fez cirurgia por um nódulo benigno não se enquadra necessariamente nessa contraindicação.
O tipo exato da doença faz diferença.
O que é NEM 2?
NEM 2 significa neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
É uma síndrome hereditária relacionada principalmente a alterações no gene RET.
As pessoas afetadas apresentam risco muito elevado de carcinoma medular de tireoide e podem desenvolver outros tumores endócrinos, como feocromocitoma.
Existem diferentes subtipos da síndrome.
Por causa da forte relação entre NEM 2 e carcinoma medular, pessoas com essa condição não devem utilizar Tirzepatida de acordo com as informações oficiais do medicamento.
Quem tem hipotireoidismo pode usar Tirzepatida?
Ter hipotireoidismo por si só não aparece como contraindicação nas informações oficiais.
Hipotireoidismo significa que a glândula produz quantidade insuficiente de hormônios tireoidianos.
As causas incluem tireoidite de Hashimoto, tratamentos anteriores da tireoide, cirurgia e outras condições.
Isso é completamente diferente do carcinoma medular.
Portanto, uma pessoa que utiliza levotiroxina não deve concluir automaticamente que não pode utilizar Tirzepatida.
A decisão depende do quadro clínico completo.
E quem tem Hashimoto?
A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune.
O sistema imunológico produz anticorpos que atacam progressivamente a tireoide, podendo levar ao hipotireoidismo.
Hashimoto não é carcinoma medular e não aparece como contraindicação específica para Mounjaro.
Quem apresenta Hashimoto deve continuar acompanhando TSH, T4 livre e os demais exames definidos pelo endocrinologista.
Durante uma perda importante de peso, também pode ser necessário reavaliar doses de medicamentos como levotiroxina.
Isso ocorre porque as necessidades hormonais podem mudar conforme peso, absorção e outras condições clínicas.
Tirzepatida pode causar hipotireoidismo?
Hipotireoidismo não está entre os principais efeitos adversos estabelecidos do medicamento.
As evidências atuais não permitem afirmar que a Tirzepatida provoque hipotireoidismo em pessoas sem doença prévia.
Há pesquisas recentes avaliando possíveis alterações tireoidianas durante o tratamento, mas os dados ainda são limitados e não justificam afirmar uma relação causal.
Pessoas que já possuem doença tireoidiana podem precisar do acompanhamento habitual dos hormônios, independentemente do uso da Tirzepatida.
Quem tem nódulo na tireoide pode usar?
Ter um nódulo não significa automaticamente que a pessoa não possa usar Tirzepatida.
Nódulos tireoidianos são relativamente comuns e a grande maioria é benigna.
Porém, a bula orienta que pessoas com nódulos identificados no exame físico ou em exames de imagem sejam avaliadas adequadamente.
Isso é particularmente importante quando o nódulo ainda não foi investigado.
Dependendo das características, o endocrinologista pode solicitar ultrassom, exames laboratoriais e, em determinados casos, punção aspirativa por agulha fina.
A avaliação segue os critérios utilizados para nódulos de tireoide em geral.
Um nódulo significa câncer?
Não.
Essa é uma confusão comum.
Grande parte dos nódulos encontrados em ultrassonografias não é maligna.
Os médicos avaliam características como:
- tamanho;
- formato;
- margens;
- composição;
- presença de calcificações;
- relação entre altura e largura;
- aparência dos linfonodos próximos.
A combinação dessas características ajuda a decidir se o nódulo precisa apenas de acompanhamento ou se merece investigação adicional.
A presença de um nódulo não significa que a Tirzepatida tenha causado o problema.
É preciso fazer ultrassom da tireoide antes de usar Mounjaro?
Não existe recomendação de realizar ultrassom de rotina em todas as pessoas apenas porque começarão o medicamento.
A própria bula informa que o valor do ultrassom tireoidiano de rotina para detecção precoce de carcinoma medular durante o tratamento é incerto.
Isso acontece porque nódulos são muito comuns.
Se todas as pessoas realizassem ultrassons repetidos sem indicação clínica, poderiam ser encontrados inúmeros nódulos pequenos que nunca causariam problemas, levando a novos exames e procedimentos desnecessários.
Ultrassonografia deve ser utilizada quando existe indicação clínica.
Preciso medir calcitonina antes do tratamento?
Também não existe recomendação universal para dosar calcitonina de rotina em todas as pessoas.
Calcitonina é um hormônio produzido pelas células C.
Valores significativamente elevados podem aparecer em pacientes com carcinoma medular, mas existem outras situações capazes de alterar o exame.
Por isso, tanto a bula brasileira quanto a norte-americana afirmam que a utilidade do monitoramento rotineiro de calcitonina para detecção precoce do CMT é incerta.
A bula brasileira destaca ainda que testes indiscriminados podem gerar procedimentos desnecessários.
Se a calcitonina for solicitada e estiver significativamente elevada, o resultado deve ser investigado pelo profissional responsável.
Quem tem TSH alto precisa parar Tirzepatida?
Não existe uma regra desse tipo.
TSH elevado pode indicar hipotireoidismo ou necessidade de ajuste da reposição hormonal.
Isso não corresponde ao risco de carcinoma medular mencionado na advertência do Mounjaro.
Uma pessoa com alteração do TSH deve investigar a causa e ajustar o tratamento quando necessário.
Não é recomendado interromper a Tirzepatida apenas com base em uma alteração isolada sem avaliação médica.
O emagrecimento pode alterar a dose de levotiroxina?
Pode.
Pessoas que emagrecem significativamente podem apresentar mudanças nas necessidades de reposição hormonal.
Além disso, a Tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico e pode influenciar a absorção de alguns medicamentos administrados pela boca.
Isso não significa que todas as pessoas precisarão alterar a levotiroxina.
Mas quem utiliza reposição hormonal deve manter o acompanhamento de TSH e T4 livre conforme orientação do endocrinologista, especialmente durante grandes mudanças de peso.
A dose nunca deve ser ajustada apenas com base em sintomas.
Quais sintomas de tireoide merecem atenção?
A bula orienta procurar avaliação diante de sinais que podem aparecer em tumores tireoidianos, incluindo:
- aparecimento de massa ou caroço no pescoço;
- dificuldade para engolir;
- falta de ar sem explicação;
- rouquidão persistente.
Esses sintomas não significam necessariamente câncer.
Infecções, doenças benignas e várias outras condições podem causar alterações semelhantes.
A importância está em não ignorar sintomas persistentes.
Rouquidão significa câncer?
Na maioria das vezes, não.
Rouquidão pode acontecer por infecção respiratória, refluxo, esforço vocal e muitas outras causas.
O alerta se refere principalmente a uma rouquidão persistente e sem explicação clara, especialmente quando acompanhada de massa no pescoço ou dificuldade para engolir.
Nesse cenário, é adequado procurar avaliação médica.

Um caroço no pescoço precisa ser investigado?
Sim.
Qualquer massa persistente na região cervical merece avaliação, independentemente do uso de Tirzepatida.
O profissional pode examinar a região e decidir se é necessário realizar ultrassonografia ou outros exames.
Mais uma vez, o objetivo não é criar medo.
A maioria dos nódulos tireoidianos é benigna.
Mas somente a avaliação adequada consegue determinar quais necessitam de acompanhamento.
Existe diferença entre câncer papilífero e medular?
Sim, e essa distinção é fundamental.
O carcinoma papilífero é o câncer mais frequente da tireoide e nasce das células foliculares.
Já o carcinoma medular surge das células C.
O alerta relacionado à Tirzepatida é baseado nos tumores de células C observados em ratos.
Portanto, não é correto pegar o aviso sobre carcinoma medular e aplicá-lo automaticamente a qualquer tipo de câncer tireoidiano.
Quem já teve outro tipo de câncer precisa discutir seu histórico especificamente com o especialista.
Quem teve câncer papilífero pode usar Tirzepatida?
Essa situação não corresponde automaticamente à contraindicação específica descrita na bula, que menciona carcinoma medular e NEM 2.
Entretanto, alguém com histórico de câncer de tireoide deve informar ao médico exatamente qual foi o tipo histológico.
O diagnóstico anterior, tratamento realizado, situação atual da doença e acompanhamento oncológico ou endocrinológico precisam ser considerados.
Não é adequado tomar a decisão apenas pelo termo genérico “câncer de tireoide”.
Histórico familiar de hipotireoidismo é contraindicação?
Não.
A contraindicação se refere especificamente ao histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide.
Ter mãe, pai, irmão ou avó com hipotireoidismo ou Hashimoto não é a mesma coisa.
Essa diferença costuma causar muita confusão porque a bula utiliza a expressão “histórico familiar de câncer da tireoide”, mas o tipo especificado é o carcinoma medular.
Se o histórico familiar não estiver claro, pode valer a pena descobrir qual foi exatamente o diagnóstico.
E se eu não souber qual câncer meu familiar teve?
Nesse caso, informe ao médico.
Se um familiar próximo teve câncer tireoidiano e ninguém sabe qual tipo foi diagnosticado, o profissional pode considerar investigar o histórico antes de iniciar o medicamento.
Às vezes, relatórios de cirurgia, anatomopatológico ou registros médicos antigos conseguem esclarecer.
Isso é especialmente importante quando existem vários familiares afetados ou suspeita de uma síndrome hereditária.
Por que não fazer exames em excesso por segurança?
Em saúde, mais exames nem sempre significam maior segurança.
Ultrassonografias conseguem identificar pequenos nódulos muito comuns na população.
Muitos nunca causariam qualquer problema.
Uma investigação indiscriminada pode gerar:
- exames repetidos;
- punções desnecessárias;
- ansiedade;
- cirurgias que talvez não fossem necessárias.
É por isso que as próprias informações oficiais sobre Tirzepatida e tireoide dizem que o valor de monitorar rotineiramente calcitonina ou realizar ultrassonografia em todos os pacientes é incerto.
O acompanhamento deve ser orientado pelo risco individual.
O que sabemos sobre o risco de longo prazo?
Essa continua sendo uma das principais limitações da evidência.
Os ensaios clínicos randomizados normalmente acompanham participantes durante meses ou poucos anos.
Um câncer raro pode levar bastante tempo para surgir.
Por isso, mesmo uma meta-análise com dezenas de milhares de participantes pode não conseguir descartar completamente um pequeno aumento de risco.
A meta-análise de 2026 com mais de 84 mil participantes não encontrou associação estatisticamente significativa entre terapias baseadas em incretinas e câncer de tireoide.
Porém, os pesquisadores enfatizaram que a raridade dos eventos e o tempo de acompanhamento reduzem a certeza da conclusão.
Isso justifica manter farmacovigilância e estudos de longo prazo.
Preciso ter medo de usar Tirzepatida por causa da tireoide?
A advertência precisa ser levada a sério, mas não deve ser interpretada fora do contexto.
Para pessoas sem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular e sem NEM 2, os dados humanos disponíveis até o momento não demonstraram aumento claro de câncer tireoidiano.
Por outro lado, ainda não existe acompanhamento suficientemente longo para declarar risco zero.
O correto é avaliar benefícios e riscos individualmente.
Para algumas pessoas com obesidade ou diabetes tipo 2, os benefícios metabólicos do tratamento podem ser substanciais.
Para aquelas com contraindicações específicas, deve ser utilizada outra estratégia.
Perguntas frequentes
Tirzepatida causa câncer de tireoide?
Não está estabelecido que cause câncer tireoidiano em humanos. Tumores de células C foram observados em ratos, e ainda não se sabe qual é a relevância desse achado para seres humanos.
Quem tem hipotireoidismo pode usar Mounjaro?
Hipotireoidismo por si só não aparece como contraindicação específica. A avaliação depende do histórico clínico completo.
Quem tem Hashimoto pode usar?
Hashimoto também não é a mesma condição que carcinoma medular. O acompanhamento da doença tireoidiana deve continuar normalmente.
Quem tem nódulos pode utilizar Tirzepatida?
Um nódulo não representa automaticamente contraindicação, mas deve ser avaliado adequadamente.
Preciso fazer ultrassom antes de começar?
Não existe recomendação universal de ultrassonografia de rotina exclusivamente por causa do tratamento.
Preciso medir calcitonina?
A bula afirma que o valor do monitoramento rotineiro da calcitonina é incerto. O exame pode ser utilizado quando houver indicação clínica.
Quem teve carcinoma medular pode usar?
Não. Histórico pessoal de carcinoma medular está entre as contraindicações descritas nas informações oficiais.
E se meu pai ou minha mãe teve carcinoma medular?
Histórico familiar também é contraindicação.
Conclusão
A relação entre Tirzepatida e tireoide precisa ser explicada com muito mais precisão do que normalmente aparece nas redes sociais.
A Tirzepatida provocou tumores das células C em ratos durante estudos de longa duração.
Porém, ainda não foi estabelecido que provoque carcinoma medular de tireoide em seres humanos.
Meta-análises dos estudos disponíveis não encontraram aumento estatisticamente significativo de câncer tireoidiano, mas o número de eventos é pequeno e o acompanhamento ainda não permite excluir completamente um risco raro de longo prazo.
Por precaução, Mounjaro é contraindicado para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide e para pacientes com NEM 2.
Isso não significa que hipotireoidismo, Hashimoto ou qualquer nódulo sejam automaticamente contraindicações.
Também não existe recomendação de realizar calcitonina e ultrassonografia repetidamente em todas as pessoas apenas porque começaram a Tirzepatida.
O ponto principal é conhecer o histórico corretamente.
Quem possui doença tireoidiana deve dizer ao profissional qual é exatamente o diagnóstico, e quem apresenta massa no pescoço, dificuldade para engolir, falta de ar inexplicada ou rouquidão persistente deve procurar avaliação.
Dessa forma, a discussão sobre Tirzepatida e tireoide pode ser baseada em evidências e risco individual, evitando tanto alarmismo quanto a falsa ideia de que a advertência não merece atenção.
Fontes e referências
U.S. Food and Drug Administration (FDA). Mounjaro® — Prescribing Information. Warning: Risk of Thyroid C-Cell Tumors. Revisão de 2026.
Kamrul-Hasan ABM et al. Tirzepatide and Cancer Risk in Individuals with and without Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis. Endocrinology and Metabolism. 2025.
Incretin-Based Therapy and Thyroid Cancer Risk: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. 2026.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mounjaro® (tirzepatida): registro e indicação para controle crônico do peso.
Conteúdo atualizado em setembro de 2026.
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