A relação entre Tirzepatida e saúde cardiovascular ganhou ainda mais atenção depois da publicação dos resultados do SURPASS-CVOT, um grande estudo que avaliou pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica já estabelecida.
Até pouco tempo, boa parte das evidências sobre saúde cardiovascular vinha de mudanças em fatores de risco, como peso, pressão arterial, glicemia e triglicerídeos. Agora, também existem dados de um estudo desenhado especificamente para observar eventos cardiovasculares importantes.
Os resultados são relevantes, mas precisam ser interpretados sem exageros. A Tirzepatida não deve ser apresentada como se “protegesse o coração” de maneira garantida para qualquer pessoa. O benefício depende do perfil clínico, e diferentes estudos respondem a perguntas diferentes.
Neste artigo, você vai entender o que já se sabe sobre Tirzepatida e saúde cardiovascular, incluindo pressão arterial, peso, colesterol, diabetes e os principais resultados do SURPASS-CVOT.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com doença cardiovascular, hipertensão, diabetes ou uso de múltiplos medicamentos precisam de acompanhamento individualizado.

Por que obesidade e diabetes afetam o coração?
Obesidade e diabetes tipo 2 estão fortemente relacionados a maior risco de infarto, acidente vascular cerebral e outras doenças cardiovasculares.
Isso acontece porque essas condições frequentemente aparecem junto de fatores como:
- pressão alta;
- resistência à insulina;
- glicose elevada;
- triglicerídeos altos;
- alterações do colesterol;
- inflamação crônica;
- excesso de gordura visceral.
Por isso, melhorar saúde cardiovascular não depende de um único número. O risco é resultado da combinação de vários fatores ao longo do tempo.
A Anvisa destaca que a obesidade pode aumentar o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, além de outras complicações.
Como a Tirzepatida pode influenciar fatores cardiovasculares?
A Tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1 e pode produzir mudanças importantes no metabolismo.
Entre os efeitos descritos estão:
- redução do peso corporal;
- melhora do controle glicêmico;
- melhora da sensibilidade à insulina;
- redução da ingestão de alimentos;
- maior saciedade.
Essas mudanças podem influenciar indiretamente a saúde cardiovascular, especialmente quando a pessoa também apresenta obesidade, hipertensão, dislipidemia ou diabetes tipo 2.
Mas melhorar fatores de risco não é exatamente a mesma coisa que provar redução de infarto ou AVC. Para isso, são necessários estudos específicos de desfechos cardiovasculares.
O que é o SURPASS-CVOT?
O SURPASS-CVOT foi um grande estudo clínico desenhado para avaliar os resultados cardiovasculares da Tirzepatida em pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica.
O estudo comparou Tirzepatida com dulaglutida, um agonista de GLP-1 que já possuía evidências de benefício cardiovascular.
Mais de 13 mil participantes foram randomizados.
O desfecho principal reuniu três eventos:
- morte por causa cardiovascular;
- infarto do miocárdio;
- acidente vascular cerebral.
Esse tipo de desfecho composto é muito utilizado em estudos de saúde cardiovascular porque reúne eventos clínicos de grande importância.
O que o estudo encontrou?
No SURPASS-CVOT, o desfecho cardiovascular principal ocorreu em:
- 12,2% dos participantes tratados com Tirzepatida;
- 13,1% daqueles tratados com dulaglutida.
O resultado mostrou que a Tirzepatida foi não inferior à dulaglutida para o risco combinado de morte cardiovascular, infarto ou AVC.
Isso significa que, dentro da margem estatística definida pelo estudo, a Tirzepatida não apresentou desempenho pior que o comparador.
Esse resultado é importante para a saúde cardiovascular, principalmente porque a população estudada já apresentava doença aterosclerótica e, portanto, tinha risco elevado.
A Tirzepatida foi superior à dulaglutida?
Não de forma estatisticamente comprovada para o desfecho principal.
O hazard ratio foi de 0,92, com intervalo de confiança de 0,83 a 1,01.
O estudo atingiu o critério de não inferioridade, mas não atingiu o limite estatístico definido para demonstrar superioridade.
Essa diferença é fundamental.
Não seria correto transformar o resultado em uma afirmação como:
“A Tirzepatida reduz infarto mais do que a dulaglutida.”
O que o estudo demonstrou foi que ela não foi inferior no desfecho cardiovascular principal.
Então o resultado foi positivo?
Sim, especialmente do ponto de vista de segurança cardiovascular.
Antes de um estudo desse porte, existia interesse em confirmar se os efeitos da Tirzepatida sobre peso e glicose também seriam compatíveis com resultados cardiovasculares seguros em pacientes de alto risco.
O SURPASS-CVOT forneceu evidência robusta de que, nessa população, o medicamento teve desempenho cardiovascular comparável ao da dulaglutida.
Isso fortalece o conjunto de evidências sobre saúde cardiovascular, mas não significa que todas as pessoas terão a mesma redução de risco individual.
Tirzepatida reduz a pressão arterial?
Estudos em pessoas com obesidade mostraram redução da pressão arterial durante o tratamento.
Um subestudo do SURMOUNT-1 utilizou monitorização ambulatorial de 24 horas para avaliar pressão arterial em participantes com IMC igual ou superior a 27 kg/m².
Os pesquisadores observaram reduções significativas na pressão arterial sistólica de 24 horas nos grupos tratados com Tirzepatida em comparação com placebo.
A pressão arterial é um dos principais componentes da saúde cardiovascular, e reduções sustentadas podem ser clinicamente importantes para pessoas com hipertensão.
A perda de peso explica parte da redução da pressão?
Provavelmente sim.
A perda de peso costuma estar associada à redução da pressão arterial em muitas pessoas.
Como a Tirzepatida pode produzir reduções expressivas de peso, parte do efeito observado sobre a pressão provavelmente está relacionada à diminuição da adiposidade.
Além disso, melhora da sensibilidade à insulina e outras alterações metabólicas podem contribuir.
Isso mostra como saúde cardiovascular e controle do peso estão conectados, mas não são exatamente a mesma coisa.
E o colesterol?
A Tirzepatida pode melhorar alguns parâmetros do perfil lipídico, especialmente triglicerídeos e outros marcadores cardiometabólicos.
No SURMOUNT-1, foram observadas melhorias em diferentes medidas cardiometabólicas. Uma análise posterior também encontrou redução do risco cardiovascular aterosclerótico estimado entre participantes com obesidade ou sobrepeso.
Porém, é importante não concluir que Tirzepatida substitui medicamentos específicos para colesterol.
Em pessoas com LDL elevado ou doença cardiovascular estabelecida, estatinas e outros tratamentos podem continuar sendo necessários para proteger a saúde cardiovascular.
A Tirzepatida reduz o LDL?
Os dados não sustentam a ideia de que a Tirzepatida seja um grande redutor de LDL.
Uma discussão publicada no New England Journal of Medicine após o SURPASS-CVOT destacou que, apesar de maior perda de peso e melhor controle glicêmico, não houve uma redução relevante do LDL em comparação com dulaglutida.
Isso reforça uma ideia importante:
melhorar peso e glicose não elimina a necessidade de tratar cada fator de risco separadamente.
Para saúde cardiovascular, muitas pessoas ainda precisam de controle específico de LDL, pressão arterial, tabagismo e outros fatores.
Triglicerídeos podem melhorar?
Sim.
A redução de peso e a melhora metabólica observadas com Tirzepatida frequentemente vêm acompanhadas de melhora dos triglicerídeos e de outros fatores cardiometabólicos.
Esse efeito é relevante porque triglicerídeos elevados costumam aparecer junto de resistência à insulina, obesidade abdominal e diabetes tipo 2.
Ainda assim, o objetivo clínico não deve ser olhar apenas para um marcador isolado.
A saúde cardiovascular depende do conjunto de fatores de risco.
Diabetes e coração estão diretamente relacionados?
Sim.
Pessoas com diabetes tipo 2 possuem maior risco de doença cardiovascular.
Glicose elevada ao longo do tempo pode contribuir para lesão vascular, mas o risco também é influenciado por pressão, colesterol, função renal, peso e tabagismo.
Por isso, o tratamento moderno do diabetes não busca apenas reduzir a hemoglobina glicada.
Também procura diminuir complicações e proteger órgãos.
Nesse contexto, os dados cardiovasculares da Tirzepatida ajudam a compreender melhor seu papel no cuidado de pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco de saúde cardiovascular comprometida.
O emagrecimento por si só ajuda o coração?
Perder excesso de peso pode melhorar vários fatores associados ao risco cardiovascular.
Entre as mudanças possíveis estão:
- redução da pressão arterial;
- melhora da glicose;
- redução dos triglicerídeos;
- menor gordura visceral;
- melhora da mobilidade;
- melhora de condições relacionadas à obesidade.
No SURMOUNT-1, participantes tratados com Tirzepatida apresentaram reduções importantes de peso e melhora de diversos fatores cardiometabólicos.
Isso ajuda a explicar por que a saúde cardiovascular pode melhorar mesmo antes de avaliarmos eventos como infarto ou AVC.
Gordura visceral importa para o risco cardiovascular?
Sim.
A gordura visceral fica localizada ao redor dos órgãos e possui forte relação com resistência à insulina e risco cardiometabólico.
Estudos de composição corporal com Tirzepatida também mostraram reduções importantes da adiposidade abdominal.
A diminuição dessa gordura pode ser uma das peças que conectam perda de peso, melhora metabólica e saúde cardiovascular.
Mas nenhuma medida isolada substitui a avaliação do risco global.
Pressão alta pode melhorar sem parar o remédio?
Pode acontecer de a pressão diminuir com a perda de peso, mas isso não significa que medicamentos anti-hipertensivos devam ser suspensos automaticamente.
Se o tratamento produzir grande redução de peso e pressão, algumas pessoas podem precisar de ajuste das doses.
Isso deve ser feito pelo profissional responsável.
Uma queda excessiva da pressão pode causar:
- tontura;
- fraqueza;
- sensação de desmaio;
- desmaio.
A Anvisa inclui hipotensão entre eventos identificados nas informações de segurança da Tirzepatida para controle do peso.
Por isso, acompanhar a pressão faz parte de uma abordagem segura de saúde cardiovascular.
Tirzepatida substitui estatina?
Não.
Se uma pessoa tem indicação de estatina por LDL elevado, diabetes, doença arterial coronariana ou outro motivo, iniciar Tirzepatida não elimina automaticamente essa indicação.
As duas terapias possuem objetivos diferentes.
A Tirzepatida atua principalmente sobre controle glicêmico, peso e mecanismos metabólicos.
Estatinas atuam diretamente na redução do colesterol LDL e são utilizadas especificamente para redução do risco cardiovascular em grupos indicados.
Cuidar da saúde cardiovascular geralmente envolve combinar diferentes estratégias conforme o risco de cada pessoa.
Tirzepatida substitui remédio de pressão?
Também não automaticamente.
A perda de peso pode melhorar a pressão, mas hipertensão precisa continuar sendo acompanhada.
Algumas pessoas poderão reduzir medicamentos ao longo do tempo; outras continuarão precisando deles.
A decisão depende das medidas de pressão, sintomas, função renal e histórico cardiovascular.
Não ajuste anti-hipertensivos por conta própria.
Exercício continua importante?
Sim.
O medicamento não substitui atividade física.
Exercícios podem contribuir para:
- melhorar condicionamento cardiorrespiratório;
- reduzir pressão arterial;
- melhorar sensibilidade à insulina;
- preservar massa muscular;
- aumentar funcionalidade;
- ajudar na manutenção do peso.
Esses benefícios são complementares aos efeitos farmacológicos.
Para saúde cardiovascular, uma rotina de atividade física adequada continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção.
Alimentação ainda importa?
Muito.
Um medicamento pode reduzir apetite e facilitar a redução da ingestão energética, mas a qualidade da alimentação continua influenciando pressão, colesterol, glicose e ingestão de nutrientes.
Um padrão alimentar favorável ao coração costuma priorizar:
- frutas;
- vegetais;
- leguminosas;
- grãos integrais;
- proteínas adequadas;
- fontes de gorduras insaturadas;
- menor excesso de sódio;
- menor consumo frequente de ultraprocessados.
Não existe necessidade de uma alimentação perfeita.
O objetivo é construir um padrão sustentável que complemente o tratamento da saúde cardiovascular.
Apneia do sono entra nessa discussão?
Sim.
A apneia obstrutiva do sono está associada a maior risco de hipertensão e doença cardiovascular.
Obesidade é um dos principais fatores associados à apneia.
A indicação brasileira da Tirzepatida para controle crônico do peso inclui adultos com sobrepeso e pelo menos uma condição relacionada ao peso. A Anvisa cita, entre os exemplos, hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono e doença cardiovascular.
Por isso, perda de peso e melhora de condições associadas podem contribuir para um perfil geral de saúde cardiovascular mais favorável.
Tirzepatida previne infarto em pessoas sem diabetes?
Ainda não podemos generalizar dessa forma.
O SURPASS-CVOT estudou pessoas com:
- diabetes tipo 2;
- doença cardiovascular aterosclerótica já estabelecida.
Isso significa que seus resultados não devem ser automaticamente aplicados a uma pessoa jovem, sem diabetes e sem doença cardiovascular.
Estudos de obesidade mostram melhora de fatores de risco, mas fatores de risco e eventos clínicos são desfechos diferentes.
Para afirmar benefício direto na prevenção de infarto em outras populações, precisamos de evidências específicas.
Quem participou do SURPASS-CVOT?
Os participantes tinham, em média, aproximadamente 64 anos.
Todos possuíam diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica.
A duração média do diabetes era de aproximadamente 15 anos.
Portanto, tratava-se de uma população com risco cardiovascular elevado.
Isso é importante para interpretar os resultados sobre saúde cardiovascular.
Um estudo feito nesse grupo responde a uma pergunta específica: como a Tirzepatida se compara à dulaglutida em pessoas que já possuem doença cardiovascular?
Os efeitos colaterais foram diferentes?
No SURPASS-CVOT, a incidência geral de eventos adversos foi semelhante entre os dois grupos, embora eventos gastrointestinais tenham sido mais frequentes com Tirzepatida.
Isso está de acordo com o perfil já conhecido do medicamento.
Náusea, diarreia, vômitos e constipação estão entre os efeitos gastrointestinais mais conhecidos.
Esses sintomas também podem influenciar indiretamente a saúde cardiovascular quando provocam desidratação ou queda excessiva da pressão.
Desidratação pode afetar a pressão?
Sim.
Vômitos ou diarreia persistentes podem provocar perda de líquidos.
Isso pode reduzir a pressão arterial e aumentar o risco de tontura, desmaio e problemas renais.
Pessoas que também utilizam diuréticos ou medicamentos para pressão podem precisar de atenção adicional durante episódios importantes de perda de líquidos.
Por isso, efeitos gastrointestinais intensos não devem ser ignorados apenas porque a pessoa está perdendo peso.
Como acompanhar a saúde cardiovascular durante o tratamento?
O acompanhamento depende do perfil individual, mas pode envolver:
- pressão arterial;
- peso e cintura;
- glicemia;
- hemoglobina glicada;
- colesterol LDL;
- HDL;
- triglicerídeos;
- função renal;
- sintomas cardiovasculares;
- atividade física.
Para algumas pessoas, outros exames podem ser necessários.
A ideia não é realizar exames em excesso, mas acompanhar os fatores que realmente influenciam a saúde cardiovascular de acordo com o histórico clínico.
Quais sinais precisam de atendimento?
Procure atendimento diante de sintomas como:
- dor ou pressão no peito;
- falta de ar importante;
- desmaio;
- fraqueza súbita em um lado do corpo;
- dificuldade repentina para falar;
- alterações neurológicas súbitas;
- palpitações intensas acompanhadas de mal-estar.
Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à Tirzepatida.
Emergências cardiovasculares precisam de avaliação imediata.
Tirzepatida é um medicamento “para o coração”?
Essa não é a melhor forma de descrever o medicamento.
No Brasil, a Tirzepatida possui indicações relacionadas ao diabetes tipo 2 e ao controle crônico do peso nos critérios aprovados pela Anvisa.
O que os estudos mostram é que ela melhora vários fatores de risco e, no SURPASS-CVOT, apresentou resultado cardiovascular não inferior à dulaglutida em pessoas com diabetes tipo 2 e doença aterosclerótica.
Portanto, é mais correto falar em evidências relevantes para saúde cardiovascular do que apresentar Tirzepatida como um medicamento exclusivamente cardiológico.
Perguntas frequentes
Tirzepatida faz bem para o coração?
Ela melhora vários fatores relacionados ao risco cardiovascular, como peso, glicemia e pressão arterial. No SURPASS-CVOT, foi não inferior à dulaglutida para morte cardiovascular, infarto ou AVC em pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida.
Tirzepatida reduz infarto?
O SURPASS-CVOT não demonstrou superioridade estatística da Tirzepatida sobre dulaglutida no desfecho combinado de morte cardiovascular, infarto ou AVC.
A pressão arterial pode diminuir?
Sim. Estudos em pessoas com obesidade observaram redução da pressão arterial, inclusive em monitorização de 24 horas.
Posso parar meu remédio de pressão?
Não por conta própria. Se a pressão diminuir significativamente, o tratamento deve ser reavaliado pelo profissional responsável.
Tirzepatida reduz colesterol?
Pode melhorar alguns parâmetros lipídicos, especialmente triglicerídeos e outros fatores cardiometabólicos, mas não substitui automaticamente tratamentos específicos para LDL.
Posso parar a estatina?
Não faça isso por conta própria. A necessidade de estatina depende do risco cardiovascular e deve ser avaliada separadamente.
Perder peso ajuda o coração?
Reduzir excesso de peso pode melhorar pressão, glicose, gordura visceral e diversos fatores cardiometabólicos.
Conclusão
As evidências sobre Tirzepatida e saúde cardiovascular ficaram mais completas com a publicação do SURPASS-CVOT.
Em mais de 13 mil pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica, Tirzepatida foi não inferior à dulaglutida para o desfecho combinado de morte cardiovascular, infarto ou AVC.
O evento principal ocorreu em 12,2% dos participantes tratados com Tirzepatida e em 13,1% daqueles que receberam dulaglutida.
O estudo não demonstrou superioridade estatística, por isso não é correto afirmar que Tirzepatida reduz eventos cardiovasculares mais do que dulaglutida.
Ao mesmo tempo, estudos de obesidade mostram melhora de pressão arterial, peso e diferentes fatores cardiometabólicos.
Essas mudanças são relevantes para saúde cardiovascular, especialmente em pessoas com obesidade, diabetes e múltiplos fatores de risco.
Mas o tratamento não substitui controle de LDL, pressão arterial, atividade física, alimentação, abandono do tabagismo e outros cuidados.
A melhor forma de interpretar os dados é enxergar a Tirzepatida como uma ferramenta que pode melhorar vários componentes do risco cardiometabólico dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado.
Fontes e referências
- Nicholls SJ et al. — Cardiovascular Outcomes with Tirzepatide versus Dulaglutide in Type 2 Diabetes. New England Journal of Medicine, 2025.
- de Lemos JA et al. — Tirzepatide Reduces 24-Hour Ambulatory Blood Pressure in Adults With BMI ≥27 kg/m². Hypertension, 2024.
- Hankosky ER et al. — Tirzepatide reduces the predicted risk of atherosclerotic cardiovascular disease and improves cardiometabolic risk factors in adults with obesity or overweight.
- Jastreboff AM et al. — Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação.
Conteúdo atualizado em agosto de 2026.
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